Sobre

Ourela é o lugar onde histórias muito antigas encontram vidas acontecendo agora.

Cada história aparece aqui de três maneiras: contamos de onde ela veio e o que aconteceu; um filme curto se detém num detalhe que quase passou despercebido; e uma carta, escrita e narrada, aproxima esse detalhe de uma experiência da vida comum.

A Ourela nasceu de uma curiosidade: por que algumas histórias continuam sendo contadas centenas ou milhares de anos depois de terem surgido?

Talvez porque, apesar de tudo o que mudou, algumas coisas em nós tenham mudado muito pouco. Continuamos tentando pertencer. Continuamos amando pessoas que nem sempre podem nos amar da mesma maneira. Perdemos, mudamos, escolhemos, insistimos, desistimos.

Os cenários são outros, mas muitas das perguntas continuam surpreendentemente parecidas.

Há alguma coisa reconfortante em perceber isso. Uma dor que parecia completamente particular já apareceu numa história contada muito antes de nós. Alguém já tentou encontrar uma forma para aquele medo, aquela perda, aquele desejo.

“As histórias não resolvem aquilo que vivemos. Mas, às vezes, fazem companhia.”

Aqui, voltamos a essas histórias sem procurar uma nova moral para colocar no final. Procuramos olhar outra vez, porque uma história muda dependendo do lugar de onde olhamos.

Narciso costuma ser lembrado pela vaidade. Mas existe um momento em que ele já sabe que está olhando para si mesmo e, ainda assim, não consegue sair da margem.

Na fábula do Vento e do Sol, aprendemos a olhar para quem sopra e para quem aquece. Um dia, aqui, olhamos para o casaco.

É geralmente assim que uma história começa na Ourela: alguma coisa pequena que estava ali o tempo todo muda de lugar quando olhamos novamente.

“A história fecha. O sentido não.”

Às vezes encontramos uma resposta. Às vezes encontramos uma pergunta melhor. E, às vezes, apenas a estranha sensação de descobrir que aquilo que estamos vivendo já passou por aqui antes.

Criado por Cristiana.